O Museu de Arte da Bahia inaugura exposições inclusivas que marcam uma virada histórica em sua trajetória. Na quinta-feira, 18 de dezembro, às 18h, o MAB apresenta três mostras de longa duração, Tradição e Invenção, A Arte de Presciliano Silva e A Pintura de Manoel Lopes Rodrigues, reafirmando um novo posicionamento curatorial pautado na diversidade, representatividade e diálogo com o presente.
Nova identidade curatorial amplia narrativas no MAB
A reformulação do museu rompe com a estética tradicional do século XIX, historicamente associada ao imaginário doméstico das elites. Agora, o MAB se assume como um organismo dinâmico, atento às transformações sociais e culturais da Bahia contemporânea.
Essa mudança parte do reconhecimento de que a expografia anterior não refletia a pluralidade do público baiano. Portanto, o novo projeto busca ampliar narrativas e valorizar agentes historicamente invisibilizados, como artesãos, trabalhadores, artistas negros e mulheres.
Segundo a historiadora e museóloga Camila Guerreiro, integrante da Comissão Curatorial do Acervo, o reposicionamento é fundamental:
“O MAB não pode ser apenas um espaço de contemplação da elite. Ele precisa refletir as múltiplas Bahias que nos constituem.”
Museu do século XXI: abertura e diálogo com o público
Para o diretor do MAB, Pola Ribeiro, a revisão conceitual reflete uma reflexão profunda sobre o papel das instituições culturais na atualidade.
“Estamos nos abrindo para novas frentes, furando bolhas e aproximando tanto o público tradicional quanto aqueles que antes não se reconheciam aqui”, afirma.
Assim, o museu passa a estabelecer conexões mais diretas com debates contemporâneos, sobretudo no que diz respeito à representatividade étnica, ao protagonismo feminino e à leitura crítica do acervo.
Tradição e Invenção: diálogos entre passado e presente
Mais de 150 obras em leitura crítica da arte baiana
A exposição Tradição e Invenção reúne mais de 150 obras da pinacoteca do MAB, além de oito peças emprestadas de outras instituições e de artistas contemporâneos, como Tiago Sant’Ana e Mike San Chagas.



O percurso revisita a tradição das artes plásticas baianas do período barroco ao século XX, promovendo diálogos entre obras históricas e produções atuais. Dessa forma, a mostra tensiona o conceito de invenção e amplia leituras sobre permanências, rupturas e transformações estéticas.
Um dos destaques é a valorização da produção de artistas negros, evidenciando o alto nível técnico e expressivo de criadores que, no pós-abolição, precisaram afirmar sua autoria como estratégia de legitimação.
Presciliano Silva e Manoel Lopes Rodrigues em foco
Exposições dedicadas a nomes centrais do acervo
As mostras A Arte de Presciliano Silva e A Pintura de Manoel Lopes Rodrigues apresentam um recorte abrangente da trajetória de dois artistas que concentram parte significativa do acervo do museu.
As exposições reúnem obras essenciais e contextualizam suas produções no panorama histórico e artístico da Bahia e do Brasil. Além disso, oferecem ao público uma leitura aprofundada sobre suas contribuições para a pintura nacional, reafirmando sua relevância estética e histórica.
Curadoria coletiva e olhar contemporâneo
A concepção das três exposições é assinada pela Comissão Curatorial do Acervo do MAB, formada por profissionais do museu e por docentes da UFBA e da UNEB. Integram a equipe:
- Alejandra Muñoz
- Dilson Midlej
- Joseania Freitas
- Lysie Reis
- Sandra Rosa
Essa composição fortalece o caráter crítico, plural e contemporâneo do projeto, ampliando perspectivas e leituras sobre o acervo institucional.
Serviço
Abertura das exposições de longa duração:
- Tradição e Invenção
- A Arte de Presciliano Silva
- A Pintura de Manoel Lopes Rodrigues
⏰ Visitação: Terça – Domingo, 10h às 18h, Entrada gratuita
📍 Local: Museu de Arte da Bahia (MAB) – Corredor da Vitória, Salvador






