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Namíbia, Não! retorna a Salvador em edição comemorativa de 15 anos

Por em 12/03/2026 Atualizado em 12/03/2026 06:39

O aclamado espetáculo Namíbia, Não! retorna a Salvador para uma temporada especial que celebra 15 anos de trajetória nos palcos. A montagem, escrita por Aldri Anunciação e dirigida por Lázaro Ramos, será apresentada nos dias 14 e 15 de abril, às 20h, no Teatro Sesc Casa do Comércio.

Com mais de um milhão de espectadores no Brasil e no exterior, o espetáculo retorna à capital baiana com duas únicas sessões. A obra se consolidou como um dos marcos do teatro negro contemporâneo brasileiro, transitando entre teatro, literatura e cinema.

Os ingressos já estão disponíveis e podem ser adquiridos por meio da plataforma Sympla, sujeito à lotação.,

Uma distopia provocadora sobre racismo e poder

No centro da narrativa de Namíbia, Não! estão os primos Antônio (Aldri Anunciação) e André (interpretado por Jhonny Salaberg). Confinados dentro de um apartamento, eles tentam resistir a uma medida governamental fictícia que determina a deportação de pessoas negras para países africanos.

A premissa distópica propõe uma reflexão profunda sobre racismo estrutural, políticas de Estado e identidade negra. Ao mesmo tempo, o espetáculo utiliza humor, tensão dramática e ironia para provocar o público.

Além da atuação em cena, a montagem apresenta um importante desenho de vozes em off, que representam diferentes forças sociais e institucionais.

Entre as participações estão:

  • Wagner Moura como o Ministro da Devolução
  • Léa Garcia como Mãe Idosa
  • Suely Franco como Dona Araci
  • Pedro Paulo Rangel como Seu Nina
  • Lázaro Ramos como Seu Machado

Essas vozes funcionam como uma pressão narrativa constante, representando o poder estatal e as estruturas que cercam os protagonistas.

Espetáculo inspirou o filme Medida Provisória

O impacto cultural de Namíbia, Não! ultrapassou os palcos e chegou ao cinema. A peça deu origem ao filme Medida Provisória, lançado em 2022 com direção de Lázaro Ramos.

O longa se tornou a segunda maior bilheteria nacional daquele ano, permanecendo em cartaz por 18 semanas e alcançando cerca de 470 mil espectadores.

O elenco do filme reuniu nomes de destaque do cinema brasileiro, como:

  • Taís Araújo
  • Seu Jorge
  • Alfred Enoch
  • Adriana Esteves
  • Renata Sorrah
  • Emicida

Para Aldri Anunciação, transformar a peça em cinema exigiu adaptar uma história originalmente construída em ambiente de confinamento para uma narrativa mais expansiva.

Do teatro para a literatura e o Prêmio Jabuti

Além do cinema, Namíbia, Não! também se tornou um marco na literatura. O texto da peça foi publicado em livro em 2012 e, no ano seguinte, conquistou o Prêmio Jabuti, um dos mais importantes da literatura brasileira.

A obra venceu na categoria juvenil, consolidando-se como referência de imaginação política e dramaturgia negra contemporânea.

Posteriormente, o livro foi distribuído em escolas públicas por meio do programa nacional de livros didáticos do Ministério da Educação, ampliando ainda mais o alcance da obra.

Segundo Aldri, essa trajetória transformou o espetáculo em algo maior do que uma montagem teatral.

Entre os impactos da obra estão:

  • circulação em mais de 20 cidades e 11 estados
  • mais de mil apresentações no Brasil e no exterior
  • debates em universidades e pesquisas acadêmicas
  • criação de um ecossistema de produção cultural negra

Espetáculo mantém atualidade após 15 anos

Mesmo após uma década e meia, Namíbia, Não! permanece atual. O autor destaca que o tema da peça ganha novos significados diante do endurecimento das políticas migratórias e das discussões raciais no mundo contemporâneo.

A ideia central da obra, a perseguição estatal baseada na chamada “melanina acentuada”, funciona como uma crítica política e social que atravessa diferentes gerações.

Por isso, a edição comemorativa de 15 anos não é apenas uma celebração da longevidade do espetáculo, mas também uma reafirmação de sua força artística e relevância política.

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Rafaele Libório

colunista

Publicitária, agitadora cultural e apresentadora. Apaixonada por comunicação e cultura baiana, fundou a Roda Cultural onde atua como diretora criativa, produtora de conteúdo, redatora, filmmaker, editora e em tudo que precisar, é o famoso: pau para toda obra.

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