Em 1986, Clarice Lispector provocava uma pergunta inquietante em seu romance A Hora da Estrela:
“Sou um monstro ou isso é ser uma pessoa?”
Quase quatro décadas depois, em 2024, o multiartista Fause Haten responde de forma direta em seu espetáculo solo: “Eu sou um monstro.”
E o que começou como uma performance, agora ganha as páginas de um livro, a ser lançado nesta sexta-feira (18), às 20h45, na Casa Rosa, no Rio Vermelho. No mesmo dia, às 20h, ele apresenta o monólogo, bem como no sábado (19) e no domingo (20), no mesmo horário. O ingresso está R$100 (inteira) e R$50 (meia), podendo ser adquirido através do Sympla.
Um livro-performance: entre o teatro, a moda e a palavra
Registro contundente e confessional do monólogo encenado e escrito pelo multiartista, o livro homônimo transita entre diferentes linguagens, assim como a trajetória de Haten, conhecido por seu trabalho com a moda, o teatro e as artes visuais.
Lançado pela n-1 Edições, ‘Eu sou um monstro’ tem tiragem limitada. A publicação inclui fotos-performances inéditas, ensaios sobre o processo criativo, além do texto original do monólogo.
“Ter sido convidado pela n-1 para publicar esse livro foi uma grande felicidade. É um reconhecimento das minhas palavras como autor, para além da minha atuação”, ressalta o artista paulista de 56 anos.
O ator e diretor Elias Andreato assina o prefácio, enquanto o curador Renato de Cara é responsável pelo ensaio final.
A obra é dividida em três capítulos:
- O Pacto
- A Transformação do Monstro
- O Depoimento
No prólogo, Fause Haten convida o público a participar de um pacto de imaginação compartilhada.

Lançamento com espetáculo ao vivo em Salvador
Em Salvador, além de lançar o livro – que pode ser adquirido na hora do evento, no site da n-1 Edições e em livrarias especializadas -, Fause também reestreia o monólogo ‘Eu sou um monstro’.
Para criar a performance, ele se inspirou em um acontecimento da vida do pintor anglo-irlandês Francis Bacon (1909-1992). Na véspera da estreia de uma importante exposição, Bacon e sua agente encontram o namorado do pintor morto e decidem “não achar” o corpo, para não atrapalhar o grande dia.
“A peça fala sobre a capacidade de transitar rapidamente entre sentimentos opostos. Nesse sentido, o monstro sou eu e somos todos nós. Somos monstros quando amamos e odiamos. Acho muito interessante como a monstruosidade é caracterizada pelo excesso, pelo inesperado, pelo inalcançável daquilo que é muito bom ou muito ruim”, pontua Haten, responsável também pela direção.

Clarice Lispector, monstros e a condição humana
Assim como Clarice Lispector, Haten mergulha nas camadas existenciais do ser humano. O monstro aqui não é apenas o outro – é o espelho.
“Eu sou um monstro” é, antes de tudo, uma reflexão sobre a vulnerabilidade, a dualidade e a potência criativa do ser.






