A Festa do Olojá iniciou oficialmente suas celebrações na tradicional Feira de São Joaquim, na Cidade Baixa, em Salvador, reunindo fé, cultura e ancestralidade em homenagem ao orixá Exu, guardião dos caminhos no candomblé. O evento começou com o desfile do Bando Anunciador, que percorreu as ruas da feira no último sábado (28), convidando feirantes, visitantes e turistas para a programação cultural e religiosa.
Com fanfarra, cores e muita animação, o cortejo marcou o início das atividades da quinta edição do Olojá, que terá seu ponto alto no dia 7 de março, nas instalações da feira. A celebração reforça o papel da cultura afro-baiana na identidade da cidade e amplia o diálogo entre religião, território e economia popular.
Além disso, desde 2024, o evento conta com o apoio da Secretaria de Turismo do Estado da Bahia (Setur-BA), por meio do projeto Agô Bahia, que incentiva manifestações culturais e religiosas de matriz africana e fortalece o afroturismo na capital baiana.


Programação da Festa do Olojá
A programação da Festa do Olojá acontece ao longo da semana e reúne atividades culturais, religiosas e comunitárias abertas ao público.
Entre os destaques estão ações de saúde, encontros culturais e rituais dedicados aos orixás.
06/03 – Sexta-feira
12h – Mercado da Memória Ancestral
18h – Samba Nagô (Alacorin e Viola de Isa)
07/03 – Sábado
08h – Concentração Cortejo Olojá
10h – Xirê Olojá (para todos os Orixás)
14h – Palco Nagô
🎶 Atrações: Ilê Aiyê, Cortejo Afro, Muzenza, Samba Trator, Omo Obá e Aisha Araújo convida Bruno Odessi
Olojá entra para o calendário oficial de Salvador
Um marco importante para o evento aconteceu em 2025, quando a festa passou a integrar oficialmente o calendário de festas populares da cidade por meio da Lei nº 9.892/2025. A medida reconhece o Olojá como uma manifestação cultural e religiosa de grande relevância para Salvador.
A edição de 2026 traz o tema “Do mercado ao mundo: Exu no calendário da cidade”, simbolizando o crescimento e a consolidação da celebração. Ao todo, são esperados mais de 100 terreiros de candomblé, que se reúnem para homenagear o orixá associado à comunicação, ao movimento e às trocas.
Segundo Anane Simões, presidente da Associação Cultural e Social Olojá, o apoio institucional foi fundamental para ampliar o alcance do evento.
“A Setur-BA foi o primeiro órgão público a nos convidar para uma parceria e garantir apoio, que tem sido essencial na realização da festa. A cada edição recebemos mais participantes e fortalecemos nossa ancestralidade.”


Fé, memória e comunidade na Feira de São Joaquim
Mais do que uma festa religiosa, o Olojá representa um momento de encontro comunitário e valorização das tradições afro-brasileiras. Para muitas famílias do candomblé, o evento também é uma oportunidade de transmitir conhecimentos e fortalecer a identidade cultural.
A iakekerê do terreiro Casa do Ferreiro, Tatiane Assis, destaca a importância da participação das novas gerações.
“É uma oportunidade de celebrar Exu e festejar a diversidade. Fiz questão de trazer minha filha para ver o Bando Anunciador, porque ela representa a continuidade da nossa religião.”
Ao mesmo tempo, o evento também movimenta o turismo e a economia local. Segundo Nilton Ávila, presidente do Sindicato dos Feirantes de São Joaquim, a festa se tornou um novo atrativo da feira, que passa por um processo de requalificação.
Assim, a Festa do Olojá reafirma a Feira de São Joaquim como um dos principais territórios de resistência cultural e religiosa de Salvador, onde fé, comércio, ancestralidade e cultura popular caminham lado a lado






