A Roda de Samba Reggae volta a movimentar o Centro Histórico de Salvador nesta sexta-feira (6), às 19h, na Praça da Cruz Caída. O evento gratuito, idealizado por Marcia Castro, mantém o clima vibrante do pós-Carnaval e já aponta para os festejos juninos, ampliando o diálogo entre ritmos populares baianos.
Consolidada como um dos projetos mais simbólicos do verão soteropolitano, a Roda de Samba Reggae reafirma a força do samba-reggae como célula essencial da música da Bahia. Além disso, promove encontros inéditos e fortalece conexões artísticas no coração da cidade.
Encontro de gerações e sonoridades
Nesta edição, Marcia Castro divide o palco com nomes que ampliam o alcance do projeto. Entre eles está Mariana Aydar, vencedora de dois Grammy Latino, que leva à Cruz Caída a energia do projeto “Forró da Mari”.
A artista paulistana propõe uma leitura contemporânea do forró. Ao mesmo tempo, valoriza as raízes nordestinas e atualiza discursos, especialmente ao destacar a liberdade feminina em suas canções.
Diretamente de Camaçari, o Afrocidade reforça a potência afro-baiana com sua mistura de afrobeat, reggae, pagode e dub. O grupo dialoga com diferentes Áfricas, simbólicas e sonoras, e aposta em letras politizadas e performances marcadas pela coletividade.
Já o rapper Hiran soma versatilidade à roda. Reconhecido como uma das vozes mais marcantes do rap contemporâneo, o artista transita entre rap, axé e samba-reggae, além de representar a cena LGBTQIAPN+ com protagonismo.
Parcerias que fortalecem o projeto
A conexão entre Marcia Castro e Afrocidade também se reflete em estúdio. O single “Hoje Vai Dar Praia” tem composição de Marley Bass, integrante da banda. No palco, a troca se traduz em potência coletiva.
Com Hiran, a parceria ganha corpo na faixa “Coladinha em Mim”, momento aguardado pelo público, que já domina a coreografia e transforma a praça em grande celebração.
Repertório celebra blocos afro históricos
O conceito da Roda de Samba Reggae permanece centrado na valorização das matrizes afro-baianas. Por isso, o repertório revisita clássicos que atravessam gerações desde os anos 1980.
Entre as referências estão:
- Olodum
- Ilê Aiyê
- Muzenza do Reggae
- Banda Mel
- Banda Reflexu’s
Dessa forma, o projeto reforça o papel do samba-reggae como expressão cultural, política e identitária.
Evento gratuito fortalece ocupação cultural
Além do impacto artístico, a Roda de Samba Reggae também cumpre função estratégica na ocupação do Centro Histórico. A Praça da Cruz Caída se transforma, portanto, em espaço de encontro, diversidade e celebração.
Com entrada franca e início às 19h, o evento promete reunir moradores, turistas e amantes da música baiana. Assim, Salvador mantém o fôlego festivo mesmo após o Carnaval e já ensaia os passos para o São João.
A Roda de Samba Reggae reafirma a vitalidade da cena cultural soteropolitana. Mais do que um show, trata-se de um movimento que celebra ancestralidade, contemporaneidade e resistência através da música.






